segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Imagem da Semana

 
Como eu imagino os meus orientadores, quando estão a ler o que eu lhes envio
 
Samuel Johnson

 

domingo, 10 de setembro de 2017

Ataques de ansiedade

Ao longo do período em que comecei a escrever a tese, tem sido sempre uma luta psicológica imensa. Sempre que chego ao ponto em que é suposto passar o meu trabalho para as mãos de outra pessoa, começa a cair em mim um sentimento de pânico. Este sentimento aumentou desde que estive com a única colega, que até agora, terminou o nosso curso. Desde que ela me disse que assistiu a algumas defesas de pessoas que estiveram muito próximas de reprovar, que a nuvem negra voltou e está constantemente a suspirar-me aos ouvidos "Não vês que não vais conseguir? Não vês que mesmo que os orientadores sejam loucos o suficiente para deixar que entregues a tese neste estado, chegas ao júri e vais ser trucidada?".
 
Como é que esta nuvem se manifesta a nível físico? Vontade de comer muito, muito, pão. Tremores constantes. E, o pior de tudo, uma falta de ar como se fosse morrer neste momento.
 
Para piorar as coisas, as minhas alergias estão cada vez mais sensíveis e a alergia à linhaça e a outros produtos estão a dar comigo em doida. No último mês devo ter ido às urgências umas 3 vezes, porque a língua incha-me e parece-me que a garganta vai fechar. Ontem tomei um spray relaxante para dormir, de florais Bach, e o raio do spray tinha qualquer ingrediente que a minha garganta não gostou. Quando liguei para a saúde 24 estes assustaram-me de tal forma que ainda hoje pelas 15hrs continuo com estes "ataques de pânico" em que já não consigo distinguir se a dificuldade em respirar é real ou psicológica. O pior é que com isto não sei quem sofre mais, se eu, se o pobre marido que tem que andar sempre a correr comigo para o hospital e que se aflige quando eu digo que me falta o ar.
 
Mas eu sou forte. Sou forte e não desisto facilmente. Qualidade ou defeito, por muito que sofra e que pense que vou morrer, não desisto. Mesmo quando penso que não aguento mais, no último segundo ganho forças para lutar. E é por isso que mais depressa compro uma máquina que seja capaz de analisar o nível de oxigénio, para distinguir entre ataques de ansiedade e problemas reais com a asma/alergias, do que atirar a toalha. Estou muito próximo. Tão próximo...
 
Inspira. Expira. Inspira. Expira.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Todos os Dias

Trabalhem na tese todos os dias!
 
Meia hora pelo menos. Por muito ocupados que estejamos, meia hora é sempre possível de encaixar.
 
Escrevam. Se não conseguem escrever, leiam qualquer artigo ou livro importante. Se não têm vontade de ler coisas académicas chatas (sejamos honestos... muita coisa é extremamente chata), façam qualquer outra das mil e quinhentas tarefas relativas à tese (que não são muito melhores, mas que quanto mais adiamos pior é), como por exemplo:
 
  • Bibliografia
  • Verificar referências
  • Verificar se todas as referências que aparecem no texto estão na Bibliografia
  • Procurar novos artigos / livros, que poderão ser interessantes, no Google
 
 
 
Não conseguem imaginar a diferença que faz, a todos os níveis. Não só vão avançando (mesmo que seja devagar, o importante é avançar), como até a nível da criação do hábito de trabalhar na tese todos os dias (e hábitos, ganham à motivação) vai ajudar na diminuição da ansiedade que sentimos.
 
ESTAMOS JUNTOS!

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Alergias e Ataques de Pânico - Um fim-de-semana excitante

Estão a ver aquelas crianças que, nos filmes, vivem em redomas de vidro? Em que nada, nem ninguém, lhes pode chegar perto que começam logo a sangrar do nariz? Em criança eu apenas tinha 2 problemas: se apanhasse muito sol sangrava do nariz e tinha eczema nas mãos.
 
Era basicamente isto.
 
Agora aos 30, tenho eczema NO CORPO TODO (e ai de mim que use o produto errado), asma, intolerância à lactose e alergias com fartura. Acho que de tudo, mesmo assim o pior, são as alergias. Em especial à alergia à linhaça (que descobri este ano). É que quando tenho o azar de comer linhaça (que hoje em dia está em tudo o que é "saudável", raios os partam a todos) começo a sentir uma comichão estranha na garganta, que me dá tosse. Depois, parece que me custa a engolir. E depois (cereja no topo do bolo), sinto que a garganta começa a inchar. Este ano já são 2 vezes que vou ao hospital receber anti-histamínico intravenoso. A última vez, foi na sexta-feira. Acho que foi um sinal de Deus para eu perder o hábito de comer tostas à meia-noite de sexta. Então não é que o raio do pão (O PÃO, SENHORES, O PÃO!) tinha linhaça na composição, maaaas não aparecia nos ingredientes listados? Espectacular. Segundo o médico que me atendeu nas urgências, é uma prática muito comum...
 
 
 
O pior disto é que no sábado, passei o dia assim um pouco ganzada (e não estudei nada) e talvez pelo facto de não ter estudado, e da paranóia da possibilidade da garganta fechar (claro que não iria fechar, porque eu já tinha tomado tanta medicação que a garganta já estava quase no seu estado normal) comecei a ter uns ataques de ansiedade que incluiam IMENSA falta de ar, e o coração a bater tão depressa que depois entrei na paranóia de "Oh meu Deus, vou ter um ataque cardíaco!!". Com isto, vêm as tonturas e as pernas a tremer. Uma panóplia de coisas boas.
 
 
 
Estão a ver quando pegam ao colo, num animal pequeno, como um coelho ou um hamster, e sentem o coração deles a bater como louco? O meu estava assim. Claro que isto não é nada demais, é apenas uma resposta do corpo a um período de stress, mas isto somos nós a pensar de modo racional. Coisa que nunca conseguimos fazer naqueles momentos.
 
 
Quando fui para a cama, fiz uma sessão de meditação contra a ansiedade (afinal o Headspace ao fim de 10 sessões gratuitas passa a ser pago, por isso já subscrevi um podcast de meditação) e a coisa parece que acalmou um pouco. Mesmo assim só adormeci depois das 02 da manhã, porque continuava a sentir o coração a querer romper-me o peito.
 
E tudo isto, porque aqui a lontra decidiu comer uma tosta à meia-noite de sexta para sábado...

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Self Care: Meditação

Voltando ao tema "como combato a minha ansiedade" hoje venho falar sobre uma das ferramentas mais importantes nesta luta: Meditação.

Juntamente com as minhas sessões de hipnoterapia, comecei a meditar. Instalei uma app em português (do Brasil) chamada Meditare e com esta aplicação conseguir iniciar-me na prática. Depois disto, uma vez que infelizmente a app apenas tem meditações acompanhadas até 15min, encontrei um centro de meditação junto ao meu trabalho e todas as semanas, durante a minha hora de almoço, ia fazer uma sessão de uma hora.

Aos poucos, conseguia ir fazendo já as sessões em casa, e sem necessidade de serem acompanhadas. Por vezes sem música. Só mesmo eu, a minha respiração e a minha japa mala (o colar de contas de madeira, utilizado na meditação, que inspirou os primeiros Cristãos a criar o terço).

A meditação é uma prática que, se formos fazendo todos os dias, vai ficando cada vez mais fácil. Inicialmente eu tentava concentrar-me somente na respiração, depois disso no mantra que escolhi e depois com as minhas sessões de hipnoterapia em que a minha amiga me disse para tentar fazer autohipnose (que é mais ou menos meditação, mas concentramo-nos  numa "imagem" daquilo que queremos alcançar) e assim, aos poucos, fui ficando cada vez mais segura da minha prática e cada vez menos ansiosa.

Os beneficios da meditação têm sido estudados por cientistas, e está comprovado que tem inúmeros aspectos positivos, tais como:

  1. Aceleramento da Capacidade de Processamento Potencial do Cérebro
  2. "Aumento" do Cérebro (em áreas-chave do mesmo)
  3. Melhoramento da Memória de Curto Prazo
  4. Ajuda a prevenir envelhecimento do Cérebro
  5. Supressão de sentimentos de ansiedade
  6. Melhoramento da concentração
  7. Controle dos vícios
No entanto, a meditação tem um problema. Tem de ser praticada todos os dias! Se não formos fazendo todos os dias, os beneficios acabam por se perder e o nosso cérebro volta aos seus vicios antigos. Nestas férias, com a preguiça de "estou tão cansada que quero é dormir" e com o meu vício de "eu já estou bem e não preciso mais de fazer mais meditação", deixei de meditar e aos poucos, a minha ansiedade começou outra vez a surgir. Por isso quis voltar à prática que tão bem me fazia e que estupidamente abandonei. Como voltei? Como não queria estar armada em "ah, eu já fiz não preciso começar do zero" instalei a app Headspace que para além de fazer a contagem dos dias e minutos que já meditámos, também vai explicando o que é a meditação, quais os beneficios e como devemos iniciar a prática. Para além disso, a app instala automaticamente na nossa agenda do telemóvel um memo para que não nos esqueçamos de meditar todos os dias (a uma hora que nós poderemos escolher). Para os beneficios serem maiores, convem ser sempre à mesma hora, mas eu sou rebelde e faço sempre é quando estou a preparar-me para ir dormir. Até agora estou super fã desta app e caso consiga continuar a utilizá-la sem fazer o upgrade para o serviço pago, é o que vou fazer.


Meditação não obriga a que se tornem membros de nenhuma religião. Meditação é uma prática de nós para nós.

Experimentem.
 

Deixo abaixo, alguns links, caso queiram ver videos e ler artigos sobre este assunto, ou experimentar as apps:

Meditare

Headspace

Beneficios da Meditação

7 beneficios comprovados

How to Meditate for Beginners - vídeo

How Meditation can Reshape your Brain - TedTalk - vídeo

Debunking the 5 Most Common Myths about Meditation - TedTalks - vídeo


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Mestrado e Doutoramento e a Saúde Mental

Muitos estudantes dos chamados estudos pós-graduados (a nível de mestrado e doutoramento) acabam por enfrentar alguns problemas a nível da saúde mental. O maior dilema que depois enfrentamos, é que mesmo em pleno século XXI este assunto ainda é um assunto tabu. Como é tabu, muitos de nós acabamos por sofrer em silêncio sem nos apoiarmos sequer nas nossas famílias (que muitas vezes não percebem sequer como é possível termos problemas de saúde mental, se não somos "maluquinhos").

Por causa disto, vamos reprimindo aquilo que sentimos, acabamos por criar um monstro cada vez maior que acaba por nos toldar totalmente a mente ao ponto de criar problemas graves como a depressão.
 
Como isto é um problema geral, achei por bem falar aqui dos passos que dei que me ajudaram. Já tenho falado sobre o assunto, mas agora irei falar mais sobre aquilo que podemos fazer para combater os sentimentos negros que nos afligem.
 
 
Eu sofri (e sofro) com Síndrome do Impostor e Ansiedade. Sempre fui uma pessoa ansiosa, mas com o doutoramento as coisas chegaram a um ponto que eu já não aguentava mais. E como não aguentava mais, procurei ajuda.
 
Fonte: http://www.boredpanda.com/mental-illnesses-illustrated-by-monsters-by-toby-allen/
 
 
No meu caso, tenho uma amiga que estudou Hipnoterapia e tive algumas sessões com ela. Não consigo frisar o quão importante ela foi para mim. As sessões de hipnoterapia fizeram-me perceber quais eram os sinais que me faziam despertar a ansiedade e o porquê. Ao percebermos o porquê, conseguimos perceber que não fazem sentido os nossos medos. Não fazem sentido, porque se estamos neste ponto da "carreira" académica, é porque merecemos. Se estamos neste ponto, é porque queremos ali estar. E quase sem sabermos como, ao perceber estas pequenas coisas, soltam-se as amarras e subitamente temos forças para mergulhar nos livros com outra força. Não é que subitamente tudo fique fácil, não. Mas não temos mais ataques de pânico ao lermos artigos académicos, nem palpitações ao tentarmos escrever algo. Poderemos continuar a sentir um nervoso miudinho, mas é um nervoso saudável.
 
Por isso, o meu melhor conselho é:
 
Procurem ajuda!
 
Quer seja um amigo-confidente, quer seja um psiquiatra, um psicólogo, um hipnoterapeuta... qualquer pessoa que vos possa ajudar realmente a perceber o que se passa convosco e quais são as razões que vos levam a sofrer. Ao ficarmos a conhecer os nossos monstros pessoais, conseguimos combatê-los melhor.

Alguns artigos sobre o assunto:

There is a culture of acceptance around mental health issues in academia

Mental health: a university crisis

Ph.D. students face significant mental health challenges

Tips on looking after your mental health as a PhD student